sábado, 26 de setembro de 2009


SEM A PRECE NÃO ME AGUENTO
Margaret Pelicano

Viajante eterna do tempo
faço dos versos minha tolerância,
quero viver sem rompância,
pacientemente eliminar lamentos...

As duras lidas da vida me cansam
quero desanimar, mas me sustento!
Garanto uma frágil vontade,
buscando a força na amizade...

Desta feita continuo passo a passo,
acertando e errando tantas vezes quanto
for necessário me fortalecer de pronto
para enfrentar o medo da coragem...

Este me vigia pelos cantos
procurando brechas, ponto a ponto...
e quando encontra se insufla feito balão
em minha mente entra de roldão...

Aí é que me pergunto como foi
que tal atitude deletéria
entrou-me goela a dentro
destruindo sonhos e quimeras...

Passo a vigiar cada minuto
não permito mais a entrada do medo,
ganho força tal que até percebo
uma outra mulher no lugar daquela....

Abro minha janela ao vento,
mando pra p.q.p. o lamento
canto a canção da espiritualidade maior:
a prece! Sem ela não me aguento!

BRASÍLIA - 15/08/2009

FORÇA DIVINA
Margaret Pelicano
Deus se mostra presente em minha vida a todo instante,
desde a gotícula do floral mais singelo,
à homeopatia que cura os males físicos,
até o sol da manhã em curador anelo!
São tantos os problemas psícos,
ansiedades, medos, desespero em fontes
que jorram agruras nas janelas d'alma...
Mas Deus ali está! Luz em florada...
eterna primavera, abundâncias de consolo,
frutificando o pão da vida em doce miolo,
levando-me no colo, acariciando-me os cabelos...
Nunca me sinto só! Ele ali está, presente!
Pressente minhas angústias e comigo as sente...
É minha noite, minha alvorada, Seu amor consente!
Brasília - 18/08/2009

sábado, 11 de julho de 2009

MAGNA MATER
Humberto Soares Santa

Gaia, a magna mater angustiada,
Deusa, mãe de Cronos, mulher de Uranos,
Sofrida com a dor dos desenganos,
Adormeceu no céu, triste e cansada.

No Hades sulfuroso, à gargalhada,
Demónios revoltados, traçam planos
Pra que a Terra estoure em poucos anos
E seja por humanos, mal amada.

Gaia, adormecida, em pesadelo,
Abraça o mundo e freme de vergonha
Por plantar em si, joio e bacelo

Da vinha da mentira e da peçonha !....
Daí nasceu a guerra e o atropelo
E Gaia, já não dorme... já não sonha !

GAIA, GE, GEA ou GEIADeusa greco-romana que personificava a Terra.Mãe Universal da vida.

Cotovia - Sesimbra - PORTUGAL

sábado, 4 de julho de 2009



ENTRELACES
Áurea Miranda e Margaret Pelicano

Das linhas coloridas das palavras,
recebi um comentário e enriqueci
de tons dourados, prateados, preciosidades mil:
perólas, rubis, safiras puro anil,
fui crivando diamantes em hastes de poemas,
um entrelace de fragrâncias contagiantes
a debulhar pretéritos e presentes,
como creio que são as rotinas mais constantes...
É impressionante a nossa teimosia
em negar um amor sempre presente
a invadir a alma delirante, à espreita
desde abrirmos a primeira janela da manhã.
até cerrarmos os olhos em desejosa colheita!

Assaltam-me idéias, sempre afirmamos :
não posso amar você,
na verdade queremos dizer: não devo...
Flui em minhas palavras,
as negações que escrevo...
Digo da boca pra fora:
- Vá embora! -
E o coração soluça silencioso:
não posso deixar de amar você,
amor caridoso e caprichoso!

E assim, dia após dia,
vamos descobrindo, tentando,
cutucando o peito estreito,
para tanto amor doar,
grande para receber,
como cisterna sempre com água a sangrar,
feito ladrão em caixa d'água,
quanto mais entra, mais tem a despejar...
Assim são todos os amores,
filiais, maritais, amaziados,
importa o quilate que invade,
tudo o mais é secundário,
não importa a idade...

Entrelaces de quimeras,
prazeirosos, sempre à espera,
de reconhecimento e contento,
um amor vai embora,
outro chega a cada momento!
Diferentes é bem verdade,
mas com quanta propriedade
é plantado pelo mundo,
espelhando e espalhando
o melhor da Divindade!

Brasília - 04/07/2009

sábado, 13 de junho de 2009

103. Mensagem de Caráter

riqueza sem trabalho;
prazeres sem escrúpulos;
conhecimento sem sabedoria;
comércio sem moral;
política sem idealismo;
religião sem sacrifício
e ciência sem humanismo.(Mahatma Gandhi)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

102. Recomeçar é acreditar

COMEÇANDO
By Woo

A confusão da mente
me leva a reclusão
uso e abuso da máscara
do " não estou nem aí "
porque assim,
o tempo passa
e penso que posso me preparar

Equívoco da minha parte
porque no fundo
sei perfeitamente
que preciso fumar o cachimbo da paz interna
destilar meus medos
e sair para lutar

Assim, contida, determinada
enfrento qualquer fera
que em mim esteja enconstada
Soltarei gritos de guerras
e irei à caça do meu ser

ByWoo



COMEÇANDO
Margaret Pelicano

Começando...passo a passo,
apanhando do sonho
lentamente vão
os grãos, os grãos...

Começando, devagar e sempre,
recuando contra os desvãos
onde sopram vozes fantasmagóricas,
onde as vibrações são de pesadas horas...

Caminhando, centímetro a centímetro,
espantando os medos,
as inseguranças alevantando,
jogando-as no olho do furacão;

Empinando o peito
respirando fundo,
forte como negro no eito
da escravidão...

Lutando pela vida simples,
combatendo o consumismo,
fugindo dos sismos,
evitando cismar sobre tufão....

Começando e recomeçando o bom combate,
recuar se preciso for,
humanos que somos...
apelar para a boa vontade....

Começando...começando....
limpando a mente
nublada das sujeiras cósmicas,
do ar envenenado e permanente ,

Cair e levantar,
desanimar e recomeçar,
evitar a tensão
ser simplesmente gente!

Brasília - 14/05/2007

101. CONTRA A CARGIL - empresa americana que explora o Brasil

A AMAZÔNIA IMPLORA SOCORRO
Margaret Pelicano

A Amazônia passa por uma inquisição violenta,
virou a bruxa da modernidade
e não aparece sequer uma fada madrinha
para acabar com esta calamidade!

Atenção vegetarianos: A soja destrói a Amazônia;
ela está sendo comida, voraz e cegamente
para alimentar o gado e as Gentes,
desaparece debaixo do nariz de cada um: na boca!

Esta louca que não pára de engolir,
a cada minuto, uma área de floresta tropical
equivalente a um campo de futebol,
é queimada para dar lugar a um pasto imoral

cuja produção de carne total
será equivalente a um engradado
com 257 hambúrgueres. Atenção carnívoros!
Ela vira bife, churrasco desastrado!

Se a indiferença continuar
ninguém terá história para contar.
As gerações futuras imaginarão a Amazônia!
Ela terá sido o lar da maior biodiversidade
do século XX, isto é verdade!

Indiferença jamais! Lutemos por ela!
A Amazônia é nosso maior bem vegetal e animal
Exigimos a presença deste estado servil
contra a ditadura da Cargil!

Brasília - 14/05/2009

Cargil= empresa que planta soja para alimentar o gado, aves, suínos no Brasil, desertificando a Amazônia

domingo, 15 de fevereiro de 2009

100. VIVER É SABER OLHAR

TODAS AS GENTES
Margaret Pelicano

Diante da indignidade de alguns,
viaja o mundo incessantemente indiferente,
dando bons dias e boas noites, parece contente
independente das tragédias ou de des/afortunados bebuns...

Estes levam a vida des/contentes,
afora o rebote vez em quando aparente
tristeza rondando semblantes inconsequentes,
risadas soltas ao ar, ignorantes...

Fala-se na ética com rompantes
parece o planeta se corrigir com ela,
mas ela como 'Capela' também erra
e carrega o ser humano na lapela...

ele como enfeite do planeta se acha o máximo,
mata, usurpa, chafurda na lama do egoísmo,
busca aprisco na boemia, na gandaia
por que não suporta ser pássaro de aprisco

Frequentemente busca a liberdade que não encontra
achicalha, lamuria e feito bicho apronta e aponta
que só a espiritualidade regenera,
mas se entrega à razão cega e desumana.

Brasília - 13/02/2008

domingo, 1 de fevereiro de 2009

99. Tudo de bom encontramos em Jesus


SAUDADE DE JESUS!


Estávamos na residência do Chico. Seu estado de saúde não lhe permitia deslocar-se até o Centro. A multidão se comprimia lá na rua em frente, quando o portão se abriu, a fila de pessoas tinha alguns quarteirões. Foram passando uma a uma em frente ao Chico. Pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais e dos mais distantes lugares do País. Algumas diziam: - Eu só queria tocá-lo... - Meu maior sonho era conhecê-lo... - Só queria ouvir sua voz e apertar sua mão. Uns queriam notícias de familiares desencarnados, espantar uma idéia de suicídio. Outros nada diziam, nada pediam, só conseguiam chorar. Com uma simples palavra do Chico, seus semblantes se transfiguravam, saíam sorridentes. Ao ver as pessoas ansiosas para tocá-lo, a interminável fila, a maneira como ele atendia a todos fiquei pensando: "Meu Deus, a aura do Chico é tão boa... seu magnetismo é tão grande, que parece que pulveriza nossas dores e ameniza nossas ansiedades". De repente, ele se volta para mim e diz: - Comove-me a bondade de nossa gente em vir visitar-me. Não tenho mais nada para dar. Estou quase morto. Por que você acha que eles vêm? Perguntou-me e ficou esperando a resposta. Aí, pensei: Meu Deus, frente a um homem desses, a gente não pode mentir nem dizer qualquer coisa que possa vir ofender a sua humildade (embora ele sempre diga que nunca se considerou humilde). Comecei então a pensar que quando Jesus esteve conosco, onde quer que aparecesse, a multidão o cercava. Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais e dos mais distantes lugares. Muitos iam esperá-lo nas estradas, nas aldeias ou nas casas onde Ele se hospedava. Onde quer que aparecesse, uma multidão o cercava. Tanto que Pedro lhe disse certa vez: "Bem vês que a multidão te comprime". Zaqueu chegou a subir numa árvore somente para vê-lo. Ver, tocar, ouvir era só o que queriam as pessoas. Tudo isso passou pela minha cabeça com a rapidez de um relâmpago. E como ele continuava olhando para mim esperando a resposta, animei-me a dizer: - Chico, acho que eles estão com saudades de Jesus. Palavras tiradas do fundo do coração, penso que elas não ofenderam sua modéstia. A multidão continuou desfilando. Todos lhe beijavam a mão e ele beijava a mão de todos. Lá pelas tantas da noite, quando a fila havia diminuído sensivelmente, percebi que seus lábios estavam sangrando. Ele havia beijado a mão de centena de pessoas. Fiquei com tanta pena daquele homem, nos seus oitenta e oito anos, mais de setenta dedicados ao atendimento de pessoas, que me atrevi a lhe perguntar: - Por que você beija a mão deles? A humildade de sua resposta continuará emocionando-me sempre: - Porque não posso me curvar para beijar-lhes os pés.

Momentos com Chico Xavier - Adelino da Silveira

domingo, 25 de janeiro de 2009

98.Defendendo a liberdade e a felicidade dos animais e dos seres vivos sempre!

O QUE É VERDADEIRO, É ESPECIAL
Margaret Pelicano

Circo legal,
não tem animal,
só trapezista,
palhaços,
malabaristas,
bailarinas,
é tudo genial!

Floresta legal
é cheia de animal
úmida,
quente,
vida brotando,
proliferando o sêmen
do grande astral!

Vida legal
é a que defende o animal
protege as plantas
e as crianãs,
cuida dos velhos,
cria esperança,
fornece oportunidades
para gerar mudança
de consciência,
de cidadania mundial!
Vida especial
respeita a criação original!

Brasília - 25/01/2009

sábado, 24 de janeiro de 2009

97. Dueto com MªLuiza Bonini de Sampa

O RESPEITO VALIA MAIS QUE DINHEIRO
Margaret Pelicano

Olha o leite! Olha o leite!
Ainda escuro, manhãzinha chegando,
mineiramente falando
o leiteiro conduzia a carroça repleta de latões bem areados,
brilhando aos primeiros raios de sol
uma lata de óleo adaptada,
medindo um litro certinho,
vendendo o precioso alimento
que a todos dava sustento!...
Não haviam agrotóxicos, nem hormônios,
o leite dava 'sustança', a carne era sem igual:
animal só comia grama,
ração...fazia mal!
Investimentos na saúde,
era a boa alimentação!
Todos os terreiros lotados de frutas variadas,
verduras nos canteiros,
cheiro verde abrindo apetites
para o mundo inteiro!
Cadinho mais tarde, vinha o padeiro!
'Olha o pão, olha o pão fresquinho,
assado com carinho,
forno a lenha....tenho pães e biscoitinho!
Bolachinhas variadas!
'Nas cestas forradas de pano branquinho
sobre a carroça com parelhas
ou em carrinho de pedreiro,
tudo bem limpinho
estava o pão, as roscas rainhas,
ele deixava na porta para quem era freguês
e recebia no final do mês.
O quitandeiro, aceitava caderneta!
Era comprar e marcar!
A cada 30 dias, somar
o que se ia comprar!
Tempo 'bão' da confiança
onde o bigode era como fé e esperança!
O chapéu do homem sobre o chapeleiro
era marca de honra, respeito, valia mais que dinheiro!
Se o menino fazia estripulia,
puxava-se a orelha,
um beliscão corrigia o mal feito,
sentado na cadeira, cumpria-se o castigo,
todos ajudavam nas tarefas do lar,
igualmente estudavam,
eram alimentados com farinha;
do fubá, fazia-se o mingau,
cataplasmas nas bronquites;
chá de alho e limão
curava gripe!
Frango, alimento raro,
era para o domingo:só o caipira!
Era feito ao molho pardo,
ou amarelinho com quiabo
acompanhado de angu,
arroz soltinho, alface da horta
a boca ficava até torta,
de tanto se lamber
sugar o caldo dos ossinhos,
sabe-se lá quando isto voltaria a acontecer...
O respeito valia muito!
Muitos tomavam a bênção aos mais velhos,
costume que foi se perdendo,
mudança de verbo...
crianças não davam palpites,
nem se metiam na conversa dos mais antigos,
era grande a economia
de lápis e papel,
estojo de madeira durava o curso inteiro,
nada se jogava fora,
estudo sempre vinha em boa hora!
Decorava-se a tabuada
de somar, dividir, multiplicar, diminuir,
pontos eram sorteados e recitados
na frente do Mestre...
ou se tinha boa memória
ou se adquiria para se dar bem em história e geografia
era tanta coisa diferente,
mas toda gentevivia feliz e contente
com o pouco que se tinha
Tempo bão aquele...tempo bão
de pouco dinheiro para uns,
mas de muito respeito para todos!
Passou-se pela primeira guerra mundial
chegou-se à segunda,
as pessoas sofriam muito
por que sentiam o lamento do outro;
o caráter estava impregnado na testa!
O trabalho no coração!
A moral não se perdia,
não se mudava de opinião,
grande valor tinha a educação...
Hoje, não sei,
perdeu-se a noção e a lei,
falta de educação e esperteza
são laureados
considerados um bem,
coitados dos honestos,
dos de boa índole,
estes se perdem
aqui, agora, e no além...
Brasília - 21/01/2009

****

AQUI ERA TAMBEM
Maria Luiza Bonini

Aqui na paulicéia
que ainda não era desvairada
tambem era assim

Havia o leiteiro
o padeiro
o entregador de frutas
cheio de pássaros , era o meu jardim

A escola era risonha e franca
Onde o respeito
tinha seu lugar eleito
ao velho professor de barbas brancas

Existia o verdureiro
o ferreiro
e o marceneiro
O carroceiro entregador
com sua mula labutante
nos trazia do alimento
até a linda flor

Existia pai e mãe
no almoço de domingo
com frango assado
e um macarrão bem-vindo

Era dia de missa
e lá iamos para a das dez
Com vestido rodado e laço de fita
Queriamos sempre ser as mais bonitas

Ao sermão do padre
poucos ouviam
era enfadonho e maçante
flertavamos na missa,
era bem mais interessante

A sessão da tarde
no cinema
era o ponto de encontro
dois filmes, desenho animado e jornal
eram horas de entretenimento
saudável tempo
sem igual

Eramos tão livres
e não sabiamos
Que das voltas
do mundo
seriamos traídos
pelo desrespeito a tudo
tornando a todos
refens de uma vida
regida
por conceitos tão imundos

São Paulo (SP), 22.01.09

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

96. VIDA E PAZ

ESTUPIDEZ x DEGRADAÇÃO

Extração de madeira +
Plantação de Soja +
Produção excessiva de carne +
Falta de governância =
Extinção de espécies vegetais =
Extinção animal =
Setenta por cento de gases
que contribuem para o efeito estufa!

Menos cedro,
- jatobá,
- Ipê,
- mogno,
- castanheiras...
milhões de anos devastados!

+ Ausência de consciência planetária
+ Lixo
+ Ignorância
+ Floresta crucificada
+ Injustiças...

E...
a alma da vida grita desesperada!
Poucos cumprem o seu dever:
orientar, ensinar, insistir, modificar
amar o Brasil
reverenciar o planeta:

'Concebida sob a luz do fimamento
em horas solares e luares
semeada na terra das Amazonas
jazem enraizadas nossas árvores estelares:
queimadas,
arrancadas,
desérticas...
o canto fica vazio
a luz entra
mas nada cria'...

Brasília - 13/01/2009

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

91. O AMOR SUSTENTA A PAZ

FONTE DE VIDA
Margaret Pelicano

Tudo tem fim nesta vida,
não importam latitude ou longitude,
o amor se ilude
e cansado do desrespeito,
mal compreendido, injustiçado,
confundido com a paixão,
grita que o tempo urge!

A esperança compartilha com o amor o sofrimento,
muda se afasta em lamentos,
mas, forte retorna e sustenta
uma garra insofismável,
qual flor decepada pela espada violenta,
renasce às primeiras gotas de chuva...
...revigorada!

Os bons augúrios de sobras de esperança se alimenta,
pincelando os céus de arco-íres
confiante numa transcendência que permite
ver luzes até onde não existe,
e persiste no grito lacrimejante
da água pura que desedenta...

Tal líquido, Fonte de toda vida,
molhando a Terra sanguinolenta de guerras,
implora ao amor: 'persiste!
Sem ti, nenhuma nave estelar se aguenta!
Precisamos de ti para semear o bem,
plantar a justiça, extinguir preconceitos!
Tu és fonte e leito
do rio de paz que aos seres sustenta!'

Brasília - 17/12/2008






domingo, 14 de dezembro de 2008

90. PAZ E BEM

PAZ E BEM
Margaret Pelicano

"O melhor da festa é esperar por ela", disse sempre minha mãe.
A psicologia, geralmente aponta as mães, como as geradoras dos conflitos dos filhos. Eu discordo veementemente, não só por que sou mãe, mas em sendo, percebo que muito do que erramos tem motivos ancestrais, vivencias pessoais que faz com que elas tanto errem quanto acertem, seres humanos que são. Demais a mais, elas acertam muito, uma vez que nos ensinam tudo.
Tenho uma amiga que ao ser repreendida pela mãe certa vez, retrucou e e genitora disse a seguinte frase: - 'Fulana, mãe é uma só', ou que ela respondeu: 'Graças a Deus, mais de uma eu não aguentaria'...Brincadeiras à parte, minha proteção está no que aprendi com minha mãe: o medo na dose certa, a coragem também, a formação do caráter honesto, a proteção aos filhos, o amor, e um sem número de interesses mais.
No entanto, estou aqui para falar de festa. Os preparativos dela me encantam, principalmente no Natal. Aos poucos as lojas vão se enfeitando e a casa da gente, idem. Músicas natalinas são ouvidas e exigidas nos eventos de Natal. As pessoas sorriem mais, ficam mais gentis, algumas se preparam para as doações anuais: presentes para asilos, creches, shows cuja entrada são quilos de alimento, e por aí vai. Pelo menos uma vez no Ano, Jesus consegue o milagre da modificação humana. Temporária sim, mas com algum sucesso.
Os homens se multiplicaram em número, mas devem ao aniversariante a multiplicação da humanidade íntima. Os sonhos continuam individuais e não coletivos. Viagens, passeios, férias, festas, cada vez mais privativos. Mas se a festa do aniversário do homem mais famoso dos últimos tempos implica no coletivo, eu deixo de entender os festejos. Não seria o caso de se fechar uma rua e os vizinhos se confraternizarem, fazendo antes suas orações e depois compartilharem com humildade o pão? Não seria o caso de cada líder, de cada associação de cada prefeito, entusiasmado pelo bem, recolher com seus funcionários doações para as necessidades dos outros? Isto sem falar da iniciativa de cada um.
É isto o que Jesus espera de nós: na época do advento, cada um já preparar o seu presente para o desconhecido, alimentando-o, aquecendo-o, medicando-o nas necessidades inerentes ao corpo, e, o carinho do espírito. Lembrem-se, 'o melhor da festa é esperar por ela'. Abração fraterno, um Natal de Paz de Espírito, um Ano Novo com a consciência renovada pelo bem praticado.

Brasília - 14/12/2008


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

89.Parabéns, Jesus!


ANIVERSÁRIO DE JESUSM
Margaret Pelicano

No seu aniversário Mestre,queria tanto poder lhe dizer:Senhor, eu mudei!Não sou mais egoísta,nem maltrato ninguém,pratico esportes, cuido do corpo que o Senhor me deu;busquei um asilo e colaboro com a alegria dos velhinhos;procurei um orfanato e vou lá mensalmente acariciar as crianças,levar meu otimismo a todos que ali trabalham.Criei coragem para cuidar do jardim do prédio onde resido,faço parte de grupos que protegem os animais,arrumando para os abandonados um lar...Deixei de me alimentar para ofertar meu prato a alguém!Mudei Mestre, eu mudei,este, o presente que lhe ofereço,ele é fruto do meu trabalho de boa vontade...

Porém,esta não é totalmente a verdade!Ajudei um pouco,deixei de ajudar um tanto!Faço meu canto de acalanto escrevendo a outrem,falando o que é PAZ e BEM,mas, vem aí novo dia, novo ano, eu tenho tão pouco lhe ofertar!Fiz uma análise,deixei de ser seu par,tantas vezes acomodada,tantas vezes quieta diante do sofrimento,muito aquém do que lhe convém...Aceite pois o meu pedido de desculpas, Mestre,dê-me outra oportunidade, um dia, nesta ou em outra vida,terei muitos presentes a ofertar!Com certeza, o Senhor merece!As pessoas merecem,o Planeta também!

Brasília - 11/12/2008


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

88. UM SALTO PARA O FUTURO...

SEMPRE CORRENDO ATRÁS DO TEMPO
Margaret Pelicano

Tudo passa, tudo voa,
já fomos e já voltamos
e continuamos
a contar os nascimentos e as mortes:
o amor que chegou e partiu,
a fome que não acaba
a criança violentada
o velho desamparado,
a guerra que destrói a essência,
a terra envenenada,
os animais incompreendidos,
as mentes complicadas...
E não mudamos!
Para que mudar?
A mesmice se espalha!
E continuamos a lamentar as perdas!
Mas não mudamos!
A vida avança lentamente,
a passos trôpegos,
carregando um fardo enorme
conforme sejam os tropeços!
Exatamente por que não mudamos!
As pedras pequenas se fazem maiores
para justificar os enganos
o líquen de pele eternamente incomodando,
as coceiras ferem
perturbam o que é peculiar...
...e os comportamentos são os mesmos!...
Complacente nosso Deus nos suporta:
'ser deprimente, sempre matando e destruindo,
só contando os mortos,
só enumerando o que vai morrendo,
sempre no prejuízo,
sempre correndo atrás do tempo! '

Brasília - 09/12/2008...



87. Plantemos uma árvore em 2009




segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

86. Cronstruamos a paz!


NOS TEMPOS DO ZÉ TOQUINHO
Margaret Pelicano

O disco era de vinil
a eletrolinha era portátil,
funcionava na eletricidade,
raramente dava 'pau'
não tinha problemas de conexão,
era resistente de verdade!...
A máquina de costura era de pedal ou manual
funcionava com arroz e feijão,
fazia costuras e bordados,
ou então bordava-se à mão!
No quintal havia galinhas poedeiras,
frangotes e frangas abastecedores do paladar;
vez em quando um cabrito para o Natal,
ou um porco a engordar.
Os terreiros tinham canteiros
com cebolinha, salsa, coentro,
alface, couve, agrião,
ervas medicinais: poejo, hortelã
quebra-pedra, alecrim, alfazema,
arnica, arruda, alguns até aroeira!...
...boldo, assa-peixe, barbatimão,
cabelo de milho, camomila, capim cidreira,
buxinha do norte, catuaba para manter o tesão;
gengibre, ipê roxo, jatobá,
louro, mastruço, manjericão,
noz moscada, pata de vaca, picão preto, romã;
sabugueiro combatendo sarampo,
sucupira, urtiga, valeriana,
curando, acalmando sem danificar...
Uma vida difícil, mas sem intoxicar!
Tudo 'natureba',
sem agrotóxicos, sem hormônios,
muita criança sapeca:
subindo em árvores, jogando peteca,
brincando de pique-esconde...
Era tempo de sabão Rinso, xarope Melagrião,
sorriso Colgate ou Kolynos,
comprimidos de Melhoral:
'é melhor e não faz mal'!
A lista pode esticar
se acionar mais lembranças:
Na ZYA-4, Rádio Difusora Paraisense,
Miguel era o Zé Toquinho!
Falava pro povo da roça
a linguagem do sertão!
Fez tanto sucesso que o tiraram do ar!
Havia também muita mediocridade...
...muita injustiça a se espalhar:
funcionários sem carteira,
trabalho escravo nas fazendas cafeeiras...
Nem tudo era perfeito, mas que dá saudade, dá!
De uma época de confiança em amigos,
tão intensa, pareciam anjos de altar:
sobrevoando os céus de Paraíso,
'minha querida terra 'Natar'!

Brasília - 04/12/2008

http://momentosdepaznaterra.blogspot.com/

http://margaretpelicano.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

85. "Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos a mim o fazeis" - Jesus

GOIABADA CASCÃO
Margaret Pelicano

Um esfrega, esfrega sem fim, a roupa a 'quarar', depois enxagüar, bater, torcer, passar por várias águas até tirar o último resquício de sabão. A seguir, passar anil, pendurar no varal com pregadores para não cair na terra do terreiro. Se chovia, era um berreiro: - recolham a roupa! Recolham a roupa!
Ao ferro de passar a carvão, substituiu o ferro elétrico. Este, não parava de exalar calor, dar artrite nos mais velhos, queimar dedos ou pulsos quando o cabo virava. A roupa limpinha exalava o cheiro da limpeza. O sabão de cinza fabricado em bolas, de maneira artesanal, clareava tudo. Cabelos de mulher bem brilhantes? Sabão de cinza! Cabelos macios? Bezuntar com banha de porco, depois lavar com sabão de cinza e por último sabonete cheiroso. Quem podia comprava um flaconete de xampu. Creme rinse? Muito tempo depois...
Esta a vida do interir por volta de 1960, 70...!
Só rádio na sala. TV, geladeira nem pensar, carne de porco armazenada na banha para não estragar. Doces em compotas para durar até o inverno ou até a última safra de frutas: pêssegos, figo, marmeladas, goibadas, laranja em casca... Nada se perdia, tudo se aproveitava! Casca de laranja comum, secando em varais sobre o fogão à lenha. Serviam para o chá que combatia a azia e também para acender o fogo quando a lenha estava molhada e fria. Louça? Lavada na bacia: uma com sabão para ensaboar, outra com água limpar para enxagüar.
Sobre o telhado, uma caixa d'água para o banho e pias, com muita economia. No quintal uma caixa d'água para o tanque, para as limpezas do lar, para molhar o quintal antes de varrer. Lavar a caixa um prazer. Entrar dentro dela...hum!!! Piscina de pobre, delícia!
Na limpeza do assoalho, cera derretida com gasolina; escovão - provocador de calos nas mãos das mocinhas; flanela, óleo de peroba nos móveis. Algum tempo depois uma enceradeira! Um luxo!
Telefone? Tirar do gancho, esperar a telefonista atender, dizer o número, aguardar a ligação.
Os tempos mudaram e muito: tecnologia! Difícil para os mais velhos! Tão necessária aos jovens que fazem do celular um brinco eterno. A vida ficou mais fácil e menos consciente. Se antes repartía-se o alimento, hoje, joga-se fora por falta de tempo, por que o outro tem que batalhar pela vida e ganhar o próprio sustento. Caridade? Que palavra é esta? Existe?
Ficou-nos o medo, a insegurança, a crueldade, a violência. Onde o homem do passado, religioso e calmo, amigo e companheiro! Saudades dos tempos de outrora: muito trabalho, uma canseira, mas um sono gostoso e saudável, esperança que não acabava mais, fé nos homens, cordialidade, bons dias, boas tardes, honestidade...
A noite chegava, dividia-se a televisão da vizinha, outros nas calçadas sentados aproveitando a fresca da noite, alguns ajoelhados rezando o terço...Ave Maria, Ave Maria...

Brasília - 03/12/2008





sábado, 29 de novembro de 2008

85. FELIZ NATAL PRA TODOS


REVERÊNCIAS AO IRMÃO SOL
Margaret Pelicano

Irmão Sol, és luz toda manhã,
ilumina pois a consciência dos seres,
fá-los perceberem-se filhos de Inhansã
portanto luz em abundância, do bem, poderes!...

Fá-los sentirem as vibrações de amores
enviadas por ti a cada raio que saltita no ar,
acordando a vida, abrindo as flores,
sendo oceanos de bem, como da terra é o mar!

Irmão Sol, expresso nos raios, no fogo que purifica,
ensine ao homem que este planeta habita,
que só a prática do bem é ação redentora!

Desta forma, karma modificado,
habilita-se o ser, em estado de paz acionado,
a aproximar-se Da Luz maior e Bendita!

Brasília - 29/11/2008