sábado, 11 de julho de 2009

MAGNA MATER
Humberto Soares Santa

Gaia, a magna mater angustiada,
Deusa, mãe de Cronos, mulher de Uranos,
Sofrida com a dor dos desenganos,
Adormeceu no céu, triste e cansada.

No Hades sulfuroso, à gargalhada,
Demónios revoltados, traçam planos
Pra que a Terra estoure em poucos anos
E seja por humanos, mal amada.

Gaia, adormecida, em pesadelo,
Abraça o mundo e freme de vergonha
Por plantar em si, joio e bacelo

Da vinha da mentira e da peçonha !....
Daí nasceu a guerra e o atropelo
E Gaia, já não dorme... já não sonha !

GAIA, GE, GEA ou GEIADeusa greco-romana que personificava a Terra.Mãe Universal da vida.

Cotovia - Sesimbra - PORTUGAL

sábado, 4 de julho de 2009



ENTRELACES
Áurea Miranda e Margaret Pelicano

Das linhas coloridas das palavras,
recebi um comentário e enriqueci
de tons dourados, prateados, preciosidades mil:
perólas, rubis, safiras puro anil,
fui crivando diamantes em hastes de poemas,
um entrelace de fragrâncias contagiantes
a debulhar pretéritos e presentes,
como creio que são as rotinas mais constantes...
É impressionante a nossa teimosia
em negar um amor sempre presente
a invadir a alma delirante, à espreita
desde abrirmos a primeira janela da manhã.
até cerrarmos os olhos em desejosa colheita!

Assaltam-me idéias, sempre afirmamos :
não posso amar você,
na verdade queremos dizer: não devo...
Flui em minhas palavras,
as negações que escrevo...
Digo da boca pra fora:
- Vá embora! -
E o coração soluça silencioso:
não posso deixar de amar você,
amor caridoso e caprichoso!

E assim, dia após dia,
vamos descobrindo, tentando,
cutucando o peito estreito,
para tanto amor doar,
grande para receber,
como cisterna sempre com água a sangrar,
feito ladrão em caixa d'água,
quanto mais entra, mais tem a despejar...
Assim são todos os amores,
filiais, maritais, amaziados,
importa o quilate que invade,
tudo o mais é secundário,
não importa a idade...

Entrelaces de quimeras,
prazeirosos, sempre à espera,
de reconhecimento e contento,
um amor vai embora,
outro chega a cada momento!
Diferentes é bem verdade,
mas com quanta propriedade
é plantado pelo mundo,
espelhando e espalhando
o melhor da Divindade!

Brasília - 04/07/2009

sábado, 13 de junho de 2009

103. Mensagem de Caráter

riqueza sem trabalho;
prazeres sem escrúpulos;
conhecimento sem sabedoria;
comércio sem moral;
política sem idealismo;
religião sem sacrifício
e ciência sem humanismo.(Mahatma Gandhi)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

102. Recomeçar é acreditar

COMEÇANDO
By Woo

A confusão da mente
me leva a reclusão
uso e abuso da máscara
do " não estou nem aí "
porque assim,
o tempo passa
e penso que posso me preparar

Equívoco da minha parte
porque no fundo
sei perfeitamente
que preciso fumar o cachimbo da paz interna
destilar meus medos
e sair para lutar

Assim, contida, determinada
enfrento qualquer fera
que em mim esteja enconstada
Soltarei gritos de guerras
e irei à caça do meu ser

ByWoo



COMEÇANDO
Margaret Pelicano

Começando...passo a passo,
apanhando do sonho
lentamente vão
os grãos, os grãos...

Começando, devagar e sempre,
recuando contra os desvãos
onde sopram vozes fantasmagóricas,
onde as vibrações são de pesadas horas...

Caminhando, centímetro a centímetro,
espantando os medos,
as inseguranças alevantando,
jogando-as no olho do furacão;

Empinando o peito
respirando fundo,
forte como negro no eito
da escravidão...

Lutando pela vida simples,
combatendo o consumismo,
fugindo dos sismos,
evitando cismar sobre tufão....

Começando e recomeçando o bom combate,
recuar se preciso for,
humanos que somos...
apelar para a boa vontade....

Começando...começando....
limpando a mente
nublada das sujeiras cósmicas,
do ar envenenado e permanente ,

Cair e levantar,
desanimar e recomeçar,
evitar a tensão
ser simplesmente gente!

Brasília - 14/05/2007

101. CONTRA A CARGIL - empresa americana que explora o Brasil

A AMAZÔNIA IMPLORA SOCORRO
Margaret Pelicano

A Amazônia passa por uma inquisição violenta,
virou a bruxa da modernidade
e não aparece sequer uma fada madrinha
para acabar com esta calamidade!

Atenção vegetarianos: A soja destrói a Amazônia;
ela está sendo comida, voraz e cegamente
para alimentar o gado e as Gentes,
desaparece debaixo do nariz de cada um: na boca!

Esta louca que não pára de engolir,
a cada minuto, uma área de floresta tropical
equivalente a um campo de futebol,
é queimada para dar lugar a um pasto imoral

cuja produção de carne total
será equivalente a um engradado
com 257 hambúrgueres. Atenção carnívoros!
Ela vira bife, churrasco desastrado!

Se a indiferença continuar
ninguém terá história para contar.
As gerações futuras imaginarão a Amazônia!
Ela terá sido o lar da maior biodiversidade
do século XX, isto é verdade!

Indiferença jamais! Lutemos por ela!
A Amazônia é nosso maior bem vegetal e animal
Exigimos a presença deste estado servil
contra a ditadura da Cargil!

Brasília - 14/05/2009

Cargil= empresa que planta soja para alimentar o gado, aves, suínos no Brasil, desertificando a Amazônia

domingo, 15 de fevereiro de 2009

100. VIVER É SABER OLHAR

TODAS AS GENTES
Margaret Pelicano

Diante da indignidade de alguns,
viaja o mundo incessantemente indiferente,
dando bons dias e boas noites, parece contente
independente das tragédias ou de des/afortunados bebuns...

Estes levam a vida des/contentes,
afora o rebote vez em quando aparente
tristeza rondando semblantes inconsequentes,
risadas soltas ao ar, ignorantes...

Fala-se na ética com rompantes
parece o planeta se corrigir com ela,
mas ela como 'Capela' também erra
e carrega o ser humano na lapela...

ele como enfeite do planeta se acha o máximo,
mata, usurpa, chafurda na lama do egoísmo,
busca aprisco na boemia, na gandaia
por que não suporta ser pássaro de aprisco

Frequentemente busca a liberdade que não encontra
achicalha, lamuria e feito bicho apronta e aponta
que só a espiritualidade regenera,
mas se entrega à razão cega e desumana.

Brasília - 13/02/2008

domingo, 1 de fevereiro de 2009

99. Tudo de bom encontramos em Jesus


SAUDADE DE JESUS!


Estávamos na residência do Chico. Seu estado de saúde não lhe permitia deslocar-se até o Centro. A multidão se comprimia lá na rua em frente, quando o portão se abriu, a fila de pessoas tinha alguns quarteirões. Foram passando uma a uma em frente ao Chico. Pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais e dos mais distantes lugares do País. Algumas diziam: - Eu só queria tocá-lo... - Meu maior sonho era conhecê-lo... - Só queria ouvir sua voz e apertar sua mão. Uns queriam notícias de familiares desencarnados, espantar uma idéia de suicídio. Outros nada diziam, nada pediam, só conseguiam chorar. Com uma simples palavra do Chico, seus semblantes se transfiguravam, saíam sorridentes. Ao ver as pessoas ansiosas para tocá-lo, a interminável fila, a maneira como ele atendia a todos fiquei pensando: "Meu Deus, a aura do Chico é tão boa... seu magnetismo é tão grande, que parece que pulveriza nossas dores e ameniza nossas ansiedades". De repente, ele se volta para mim e diz: - Comove-me a bondade de nossa gente em vir visitar-me. Não tenho mais nada para dar. Estou quase morto. Por que você acha que eles vêm? Perguntou-me e ficou esperando a resposta. Aí, pensei: Meu Deus, frente a um homem desses, a gente não pode mentir nem dizer qualquer coisa que possa vir ofender a sua humildade (embora ele sempre diga que nunca se considerou humilde). Comecei então a pensar que quando Jesus esteve conosco, onde quer que aparecesse, a multidão o cercava. Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais e dos mais distantes lugares. Muitos iam esperá-lo nas estradas, nas aldeias ou nas casas onde Ele se hospedava. Onde quer que aparecesse, uma multidão o cercava. Tanto que Pedro lhe disse certa vez: "Bem vês que a multidão te comprime". Zaqueu chegou a subir numa árvore somente para vê-lo. Ver, tocar, ouvir era só o que queriam as pessoas. Tudo isso passou pela minha cabeça com a rapidez de um relâmpago. E como ele continuava olhando para mim esperando a resposta, animei-me a dizer: - Chico, acho que eles estão com saudades de Jesus. Palavras tiradas do fundo do coração, penso que elas não ofenderam sua modéstia. A multidão continuou desfilando. Todos lhe beijavam a mão e ele beijava a mão de todos. Lá pelas tantas da noite, quando a fila havia diminuído sensivelmente, percebi que seus lábios estavam sangrando. Ele havia beijado a mão de centena de pessoas. Fiquei com tanta pena daquele homem, nos seus oitenta e oito anos, mais de setenta dedicados ao atendimento de pessoas, que me atrevi a lhe perguntar: - Por que você beija a mão deles? A humildade de sua resposta continuará emocionando-me sempre: - Porque não posso me curvar para beijar-lhes os pés.

Momentos com Chico Xavier - Adelino da Silveira