domingo, 15 de fevereiro de 2009

100. VIVER É SABER OLHAR

TODAS AS GENTES
Margaret Pelicano

Diante da indignidade de alguns,
viaja o mundo incessantemente indiferente,
dando bons dias e boas noites, parece contente
independente das tragédias ou de des/afortunados bebuns...

Estes levam a vida des/contentes,
afora o rebote vez em quando aparente
tristeza rondando semblantes inconsequentes,
risadas soltas ao ar, ignorantes...

Fala-se na ética com rompantes
parece o planeta se corrigir com ela,
mas ela como 'Capela' também erra
e carrega o ser humano na lapela...

ele como enfeite do planeta se acha o máximo,
mata, usurpa, chafurda na lama do egoísmo,
busca aprisco na boemia, na gandaia
por que não suporta ser pássaro de aprisco

Frequentemente busca a liberdade que não encontra
achicalha, lamuria e feito bicho apronta e aponta
que só a espiritualidade regenera,
mas se entrega à razão cega e desumana.

Brasília - 13/02/2008

domingo, 1 de fevereiro de 2009

99. Tudo de bom encontramos em Jesus


SAUDADE DE JESUS!


Estávamos na residência do Chico. Seu estado de saúde não lhe permitia deslocar-se até o Centro. A multidão se comprimia lá na rua em frente, quando o portão se abriu, a fila de pessoas tinha alguns quarteirões. Foram passando uma a uma em frente ao Chico. Pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais e dos mais distantes lugares do País. Algumas diziam: - Eu só queria tocá-lo... - Meu maior sonho era conhecê-lo... - Só queria ouvir sua voz e apertar sua mão. Uns queriam notícias de familiares desencarnados, espantar uma idéia de suicídio. Outros nada diziam, nada pediam, só conseguiam chorar. Com uma simples palavra do Chico, seus semblantes se transfiguravam, saíam sorridentes. Ao ver as pessoas ansiosas para tocá-lo, a interminável fila, a maneira como ele atendia a todos fiquei pensando: "Meu Deus, a aura do Chico é tão boa... seu magnetismo é tão grande, que parece que pulveriza nossas dores e ameniza nossas ansiedades". De repente, ele se volta para mim e diz: - Comove-me a bondade de nossa gente em vir visitar-me. Não tenho mais nada para dar. Estou quase morto. Por que você acha que eles vêm? Perguntou-me e ficou esperando a resposta. Aí, pensei: Meu Deus, frente a um homem desses, a gente não pode mentir nem dizer qualquer coisa que possa vir ofender a sua humildade (embora ele sempre diga que nunca se considerou humilde). Comecei então a pensar que quando Jesus esteve conosco, onde quer que aparecesse, a multidão o cercava. Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais e dos mais distantes lugares. Muitos iam esperá-lo nas estradas, nas aldeias ou nas casas onde Ele se hospedava. Onde quer que aparecesse, uma multidão o cercava. Tanto que Pedro lhe disse certa vez: "Bem vês que a multidão te comprime". Zaqueu chegou a subir numa árvore somente para vê-lo. Ver, tocar, ouvir era só o que queriam as pessoas. Tudo isso passou pela minha cabeça com a rapidez de um relâmpago. E como ele continuava olhando para mim esperando a resposta, animei-me a dizer: - Chico, acho que eles estão com saudades de Jesus. Palavras tiradas do fundo do coração, penso que elas não ofenderam sua modéstia. A multidão continuou desfilando. Todos lhe beijavam a mão e ele beijava a mão de todos. Lá pelas tantas da noite, quando a fila havia diminuído sensivelmente, percebi que seus lábios estavam sangrando. Ele havia beijado a mão de centena de pessoas. Fiquei com tanta pena daquele homem, nos seus oitenta e oito anos, mais de setenta dedicados ao atendimento de pessoas, que me atrevi a lhe perguntar: - Por que você beija a mão deles? A humildade de sua resposta continuará emocionando-me sempre: - Porque não posso me curvar para beijar-lhes os pés.

Momentos com Chico Xavier - Adelino da Silveira

domingo, 25 de janeiro de 2009

98.Defendendo a liberdade e a felicidade dos animais e dos seres vivos sempre!

O QUE É VERDADEIRO, É ESPECIAL
Margaret Pelicano

Circo legal,
não tem animal,
só trapezista,
palhaços,
malabaristas,
bailarinas,
é tudo genial!

Floresta legal
é cheia de animal
úmida,
quente,
vida brotando,
proliferando o sêmen
do grande astral!

Vida legal
é a que defende o animal
protege as plantas
e as crianãs,
cuida dos velhos,
cria esperança,
fornece oportunidades
para gerar mudança
de consciência,
de cidadania mundial!
Vida especial
respeita a criação original!

Brasília - 25/01/2009

sábado, 24 de janeiro de 2009

97. Dueto com MªLuiza Bonini de Sampa

O RESPEITO VALIA MAIS QUE DINHEIRO
Margaret Pelicano

Olha o leite! Olha o leite!
Ainda escuro, manhãzinha chegando,
mineiramente falando
o leiteiro conduzia a carroça repleta de latões bem areados,
brilhando aos primeiros raios de sol
uma lata de óleo adaptada,
medindo um litro certinho,
vendendo o precioso alimento
que a todos dava sustento!...
Não haviam agrotóxicos, nem hormônios,
o leite dava 'sustança', a carne era sem igual:
animal só comia grama,
ração...fazia mal!
Investimentos na saúde,
era a boa alimentação!
Todos os terreiros lotados de frutas variadas,
verduras nos canteiros,
cheiro verde abrindo apetites
para o mundo inteiro!
Cadinho mais tarde, vinha o padeiro!
'Olha o pão, olha o pão fresquinho,
assado com carinho,
forno a lenha....tenho pães e biscoitinho!
Bolachinhas variadas!
'Nas cestas forradas de pano branquinho
sobre a carroça com parelhas
ou em carrinho de pedreiro,
tudo bem limpinho
estava o pão, as roscas rainhas,
ele deixava na porta para quem era freguês
e recebia no final do mês.
O quitandeiro, aceitava caderneta!
Era comprar e marcar!
A cada 30 dias, somar
o que se ia comprar!
Tempo 'bão' da confiança
onde o bigode era como fé e esperança!
O chapéu do homem sobre o chapeleiro
era marca de honra, respeito, valia mais que dinheiro!
Se o menino fazia estripulia,
puxava-se a orelha,
um beliscão corrigia o mal feito,
sentado na cadeira, cumpria-se o castigo,
todos ajudavam nas tarefas do lar,
igualmente estudavam,
eram alimentados com farinha;
do fubá, fazia-se o mingau,
cataplasmas nas bronquites;
chá de alho e limão
curava gripe!
Frango, alimento raro,
era para o domingo:só o caipira!
Era feito ao molho pardo,
ou amarelinho com quiabo
acompanhado de angu,
arroz soltinho, alface da horta
a boca ficava até torta,
de tanto se lamber
sugar o caldo dos ossinhos,
sabe-se lá quando isto voltaria a acontecer...
O respeito valia muito!
Muitos tomavam a bênção aos mais velhos,
costume que foi se perdendo,
mudança de verbo...
crianças não davam palpites,
nem se metiam na conversa dos mais antigos,
era grande a economia
de lápis e papel,
estojo de madeira durava o curso inteiro,
nada se jogava fora,
estudo sempre vinha em boa hora!
Decorava-se a tabuada
de somar, dividir, multiplicar, diminuir,
pontos eram sorteados e recitados
na frente do Mestre...
ou se tinha boa memória
ou se adquiria para se dar bem em história e geografia
era tanta coisa diferente,
mas toda gentevivia feliz e contente
com o pouco que se tinha
Tempo bão aquele...tempo bão
de pouco dinheiro para uns,
mas de muito respeito para todos!
Passou-se pela primeira guerra mundial
chegou-se à segunda,
as pessoas sofriam muito
por que sentiam o lamento do outro;
o caráter estava impregnado na testa!
O trabalho no coração!
A moral não se perdia,
não se mudava de opinião,
grande valor tinha a educação...
Hoje, não sei,
perdeu-se a noção e a lei,
falta de educação e esperteza
são laureados
considerados um bem,
coitados dos honestos,
dos de boa índole,
estes se perdem
aqui, agora, e no além...
Brasília - 21/01/2009

****

AQUI ERA TAMBEM
Maria Luiza Bonini

Aqui na paulicéia
que ainda não era desvairada
tambem era assim

Havia o leiteiro
o padeiro
o entregador de frutas
cheio de pássaros , era o meu jardim

A escola era risonha e franca
Onde o respeito
tinha seu lugar eleito
ao velho professor de barbas brancas

Existia o verdureiro
o ferreiro
e o marceneiro
O carroceiro entregador
com sua mula labutante
nos trazia do alimento
até a linda flor

Existia pai e mãe
no almoço de domingo
com frango assado
e um macarrão bem-vindo

Era dia de missa
e lá iamos para a das dez
Com vestido rodado e laço de fita
Queriamos sempre ser as mais bonitas

Ao sermão do padre
poucos ouviam
era enfadonho e maçante
flertavamos na missa,
era bem mais interessante

A sessão da tarde
no cinema
era o ponto de encontro
dois filmes, desenho animado e jornal
eram horas de entretenimento
saudável tempo
sem igual

Eramos tão livres
e não sabiamos
Que das voltas
do mundo
seriamos traídos
pelo desrespeito a tudo
tornando a todos
refens de uma vida
regida
por conceitos tão imundos

São Paulo (SP), 22.01.09

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

96. VIDA E PAZ

ESTUPIDEZ x DEGRADAÇÃO

Extração de madeira +
Plantação de Soja +
Produção excessiva de carne +
Falta de governância =
Extinção de espécies vegetais =
Extinção animal =
Setenta por cento de gases
que contribuem para o efeito estufa!

Menos cedro,
- jatobá,
- Ipê,
- mogno,
- castanheiras...
milhões de anos devastados!

+ Ausência de consciência planetária
+ Lixo
+ Ignorância
+ Floresta crucificada
+ Injustiças...

E...
a alma da vida grita desesperada!
Poucos cumprem o seu dever:
orientar, ensinar, insistir, modificar
amar o Brasil
reverenciar o planeta:

'Concebida sob a luz do fimamento
em horas solares e luares
semeada na terra das Amazonas
jazem enraizadas nossas árvores estelares:
queimadas,
arrancadas,
desérticas...
o canto fica vazio
a luz entra
mas nada cria'...

Brasília - 13/01/2009

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

91. O AMOR SUSTENTA A PAZ

FONTE DE VIDA
Margaret Pelicano

Tudo tem fim nesta vida,
não importam latitude ou longitude,
o amor se ilude
e cansado do desrespeito,
mal compreendido, injustiçado,
confundido com a paixão,
grita que o tempo urge!

A esperança compartilha com o amor o sofrimento,
muda se afasta em lamentos,
mas, forte retorna e sustenta
uma garra insofismável,
qual flor decepada pela espada violenta,
renasce às primeiras gotas de chuva...
...revigorada!

Os bons augúrios de sobras de esperança se alimenta,
pincelando os céus de arco-íres
confiante numa transcendência que permite
ver luzes até onde não existe,
e persiste no grito lacrimejante
da água pura que desedenta...

Tal líquido, Fonte de toda vida,
molhando a Terra sanguinolenta de guerras,
implora ao amor: 'persiste!
Sem ti, nenhuma nave estelar se aguenta!
Precisamos de ti para semear o bem,
plantar a justiça, extinguir preconceitos!
Tu és fonte e leito
do rio de paz que aos seres sustenta!'

Brasília - 17/12/2008






domingo, 14 de dezembro de 2008

90. PAZ E BEM

PAZ E BEM
Margaret Pelicano

"O melhor da festa é esperar por ela", disse sempre minha mãe.
A psicologia, geralmente aponta as mães, como as geradoras dos conflitos dos filhos. Eu discordo veementemente, não só por que sou mãe, mas em sendo, percebo que muito do que erramos tem motivos ancestrais, vivencias pessoais que faz com que elas tanto errem quanto acertem, seres humanos que são. Demais a mais, elas acertam muito, uma vez que nos ensinam tudo.
Tenho uma amiga que ao ser repreendida pela mãe certa vez, retrucou e e genitora disse a seguinte frase: - 'Fulana, mãe é uma só', ou que ela respondeu: 'Graças a Deus, mais de uma eu não aguentaria'...Brincadeiras à parte, minha proteção está no que aprendi com minha mãe: o medo na dose certa, a coragem também, a formação do caráter honesto, a proteção aos filhos, o amor, e um sem número de interesses mais.
No entanto, estou aqui para falar de festa. Os preparativos dela me encantam, principalmente no Natal. Aos poucos as lojas vão se enfeitando e a casa da gente, idem. Músicas natalinas são ouvidas e exigidas nos eventos de Natal. As pessoas sorriem mais, ficam mais gentis, algumas se preparam para as doações anuais: presentes para asilos, creches, shows cuja entrada são quilos de alimento, e por aí vai. Pelo menos uma vez no Ano, Jesus consegue o milagre da modificação humana. Temporária sim, mas com algum sucesso.
Os homens se multiplicaram em número, mas devem ao aniversariante a multiplicação da humanidade íntima. Os sonhos continuam individuais e não coletivos. Viagens, passeios, férias, festas, cada vez mais privativos. Mas se a festa do aniversário do homem mais famoso dos últimos tempos implica no coletivo, eu deixo de entender os festejos. Não seria o caso de se fechar uma rua e os vizinhos se confraternizarem, fazendo antes suas orações e depois compartilharem com humildade o pão? Não seria o caso de cada líder, de cada associação de cada prefeito, entusiasmado pelo bem, recolher com seus funcionários doações para as necessidades dos outros? Isto sem falar da iniciativa de cada um.
É isto o que Jesus espera de nós: na época do advento, cada um já preparar o seu presente para o desconhecido, alimentando-o, aquecendo-o, medicando-o nas necessidades inerentes ao corpo, e, o carinho do espírito. Lembrem-se, 'o melhor da festa é esperar por ela'. Abração fraterno, um Natal de Paz de Espírito, um Ano Novo com a consciência renovada pelo bem praticado.

Brasília - 14/12/2008